CONDOMÍNIOS ABC

 


 

 

 


MORADOR DE RUA

Com certeza, em todas as principais cidades do mundo, ricas ou pobres, temos os chamados “Moradores de Rua”; acredito ser um fenômeno social mundial.

Há alguns anos, ainda morando em um dos mais tradicionais bairros da cidade de São Paulo, encontrei uma pessoa conhecida do meu tempo de infância, perambulando pelas ruas, como um mendigo; esse encontro me deixou momentaneamente triste.

Incrível! Ele também me reconheceu. Batemos um longo papo, falamos das nossas peripécias de infância, dos nossos sonhos, das nossas esperanças; num determinado instante da nossa conversa, perguntei a ele se não gostaria de tomar um café, se estava precisando de algo, de alguma ajuda.

Com um olhar ainda vivaz, com um tom fraternal, como que me consolando, disse as seguintes palavras que nunca mais esqueci:

“Fique tranquilo e tenha a certeza que agora eu sou um homem feliz”

Aquelas palavras soaram como um bálsamo para os meus ouvidos, porém, numa fração de segundos, o meu pensamento foi longe, e não pude deixar de me questionar:

- Como que um artista como ele, um virtuose do violino que inclusive chegou a tocar no “Cassino da Urca”, uma das casas mais tradicionais e “badaladas” do Rio Antigo, pudesse me afirmar algo tão insólito?

Passado aquele instante prazeroso, quase mágico mesmo, em virtude de um compromisso profissional, me despedi com um “Até breve”!

Infelizmente, foi o último nosso encontro; nunca mais o vi pelo bairro.

Na verdade, esse acontecimento nunca saiu da minha mente, e, somente depois de muitos anos, lendo um velho artigo em Seleções do Reader´s Digest de março de 1958, compreendi verdadeiramente o significado daquela  “Lição de Vida”


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